16/01/13

O OUTRO

















As águas que passam deixam uma torrente de ar que me transporta às peregrinações do mundo. Metamorfoses de um corpo único, trilhado pelos sons da vida que carregam os males da alma e também as alegrias, dependendo do olhar com que se vê. Dependendo também do tempo e do espaço.

Piso com estes pés de cal sobre a terra molhada que dissolve este ar impregnado de nós, de pontos em retalhos. Alimento minha alma com este esplendor que me toca as vestes, que me toca a pele e desnudam os sentidos impostos, os padrões recalcados pela vida no côncavo dos meus sentidos.

Saio por instantes deste casulo e consigo ver o outro, consigo ver-me a mim própria. Toco por instantes este corpo único que nos funde e paro no tempo, por instantes, a pensar que não há limites nem pontos finais. Há sim continuação das coisas. Há sim eus vários que desconheço, para além daqueles em que me fixo para analisar o mundo.

De repente vejo que não estou só. Continuo assim o meu percurso, único, mas sem deixar de olhar para além disso.