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20/03/13

Imigransia


Nun noti kaladu
Na kalseta di mar
Nha gaivota a vapor
Guian nha xintidu
Pa meiu di mundu

Sen kaminhu pensadu
Nha korpu pa dianti
Nha sombra nburdiadu
Ka xinti silensiu
Di bai nha kaminhu

Sakrifisiu di alma
Lapidu na bolsu
Nha boka sustedu
Nun lagua na bentu
Konsolan nha viaji

Ku medu nbrasadu
Nsukuta un strela
Prindadu na seu
Ta kanta poizia
I nseta nha distinu

by Johnny Pina

16/03/13

Reis Meninos


Em cortinas de incerteza
O Sol no cume do vento
Reluz nos pássaros a beleza
E pedras húmidas ao relento
Abarcam a vida do caçador
Em terras de reis meninos
Erguendo no ser o seu temor
E na glória as vozes dos hinos

Caravelas de sonhos velejam
Na estrada do faro animal
Os injustos apedrejam
A sombra do pobre castiçal
E em tons robustos de cobrança
O caçador guia-se pela caça
E o reino abastado pela fiança
Vai cantando ao vento que passa

Na ponte dos olhos, as migalhas,
As sobras de um cheiro insabor
Crescem nos ombros das navalhas
Enraizados nas mãos do caçador
Que lavram com medo o escuro
E, em pésinhos de fada, caminhar
Levando na alma um sonho futuro
De um dia a paz e glória respirar

by Johnny Pina

24/02/13

Depois do prazer


Do grelo ao rabo
O esperma saliente
De quem ali dormiu
Pernoitava tranquilamente

A vagina tão macia
Entre as pernas, amada
Satisfeita, adormecia
À brisa da madrugada

O calafate do seu prazer
Aquele mastro de tesão
Viu-se no sono se perder
Estrebuchado no duro chão

08/02/13

Noite Tardia


rendi-me ao cansaço
fétido os meus dedos escrevem
o odor da minha resistência
não me sinto em paz com as teclas
que estrebucham o azedo do final do dia

não percebo muito do que penso
nesta tarde voraz que me segura
já é noite no dia que se fez tarde
enquanto lá fora o final de semana cresce

quero vida na voz longínqua das noitadas
quero paz no barulho do meu cansaço
como a água de uma ribeira seca
quero banhar-me na imensidão do nada
ao redor de muitos que nunca estão mesmo estando

vou-me acabar rastejando nos meus pulos
andar a pino rebocando o meu sorriso
atando na minha sola o timbre da Lua
sentir transpirar em apoteose o meu ser
de tanto rugir ao vento o doce favo da noite
perdido nas ilhas de sóis escondidos na algibeira
derretendo o meu cansaço nos lençóis da minha cama

28/01/13

Espelho meu


Num punhado de vazio acorrentado
A esperança fértil e concomitante
Pingava nas veias daquele coitado
Enquanto fugia pela vida adiante

Vil estrada que animava o cansaço
Em dose de lágrimas amordaçadas
Numa mocidade fria e sem espaço
Repousavam as lamurias esgotadas

Espelho meu, amado espelho meu
Vejo em ti o eu que nunca existiu
Abraçado pelo amor que o esqueceu

Espelho meu, quem é que me mostras?
Sou a presença de quem sempre desistiu
Não há vida, aceitas as minhas apostas?

07/01/13

Vida e Paz


De alma vazia a vida é insípida
Ao som iluminado da verdade
Ambulante corpo afunilado no tempo
Na maçaneta da discórdia torna-se
Imaculado de sabedoria
A casa perfeita do demónio

Vida e paz
Só morre quem nasceu, cresceu e morreu
Se não viveu, não será imortal
Na memória minúscula de seres
Azedos de miséria de córdia
Na luz do papel afagado no silêncio

De alma vazia a vida é insípida
Só morre quem nasceu, cresceu e morreu
Se não viveu, não será imortal

03/01/13

Quando a Alma Chora

- Como vai a vida?
- Não muito bem, hoje em dia em que a alma chora ao pôr do Sol, quando o espírito devia vangloriar-se dos remates de um dia apaixonadamente cansado de fazer o que gosta.
- Como vão as coisas? Lá em casa tudo bem?
- Como pode tudo estar bem quando nem o cansaço tem direito a uma noite de sono tranquila, encostando a cabeça no travesseiro, com a mente maquinando as entranhas de um novo dia?
De portas abertas as ruas nos convidam a sacrificar a coragem e lá seguir caminhando entre vozes que ecoam no nosso ser o medo do que possa acontecer a cada passo que colocamos à nossa frente.
- É, meu amigo! Quando a alma chora por não saber se ainda pertence ao seu corpo, a vida perde o toque brilhante da magia do seu belo que encanta os que te cingem de amor e paz.
É, minha amiga!
A vida por aqui vai sendo ceifada como se fosse nada.
Sim, a alma chora, não por a vida não nos pertencer, mas por ser levada por quem não de direito, divergindo com a ordem natural da criação humana. O propósito da nossa presença, a esperança de um sorriso, coisas que faleceram aos nossos olhos e nós só continuamos respirando, pois vivos não estamos, neste mundo tão negativo, imoral, impaciente, intolerante, egoísta  autoritário, de homens que venderam suas almas ao direito de sofrer, porque no sofrimento alheio se rejubilam e consumam sua miséria nas calçadas onde arrastam seus pés, nos olhares ensopados de raiva, nas palavras emporcalhadas que professam.
Como vai a vida? Qual vida? O que é a vida? Onde a encontro? E se a encontrar, como poderei reconhecê-la?
É, meu amigo! É, minha amiga! Creio que caminhamos como seres inanimados, erradamente motivados, amaldiçoadamente apaixonados, obsessivamente desviados do real caminho da dita vida e quando é assim a alma chora.

23/12/12

P.Q.P

P.Q.P?!

Puta Que Pariu?!

P.Q.P
Palavra Que Perdoa
Perdoa essa boca suja
Que desconhece o valor da mãe
E em três palavras
Revela a desonra do ser humano

Por Quê Perdoar?!

Perdoar por paixão
Por amor ao próximo
Por saudade do sorriso
Perdoar por amizade

Pedir Quando precisar??

Pedir cumprindo a palavra de Deus
Pedir pra não roubar, não matar
Pedir por e com educação
Precisar no coração e na alma
Precisar na boca e no estômago
Precisar no corpo e no abraço

P.Q.P?!

Poesia Que Pára
Pára no andar e continua andando
Pára no sorriso vosso e faz-me sorrir
Pára no ouvido e continua na mente
Poesia que Pára
Pára no fim, mas ali não morre
Pára no ponto e é a ponte que guia
Poesia gerada de geração em geração
Pára no desejo de continuar lendo
Na juventude das rugas poéticas
No talento dos futuros poetas
Pára no segundo que não pára de seguir
Pára no hoje e revive amanhã a poesia do ontem

Poesia Que Pára,
Parou!

07/12/12

O homem de barro

Em orvalhos de sonhos
No calar da alvorada
A coruja do silêncio
Em sonos de Lua
Envolto nas nuvens
Trouxe à raiz do tempo
Atado na sua alma
O homem de barro

Entre a terra e o céu
Numa voz esquecida
Com a face do perdão
Como uma página virada
Levitando no tempo
Voou a majestosa coruja
Deixando o homem
À deriva da sabedoria

Em prosas de sombra
Em alcateias de luz
De longe o olhar da coruja
Entre os montes e vales
Divagando, sentado o homem
Em feixes de evolução
Passo a passo guiado
Em busca da identidade.

São Opções

Já a vi ser cantada
Por poetas celebrada
Em terras de tudo e de nada
Já a vi ser amada
Ao Sol e na madrugada
Por homens e mulheres partilhada
Já a ouvi ser chamada
Pelo sorriso da criançada
À roda e em forma de tabuada
Já a vi ser criada
Na praia, no quarto, numa escada
Pela alma sempre apaixonada
Já a vi ser abençoada
Pelo homem e a sua amada
Numa aliança divina conjugada
Já a ouvi ser julgada
Pela mente na ignorância soterrada
Como um mastro de piada
Já a li num conto de fada
Por amor, salva pela espada
E no amor muito bem guardada.

05/12/12

Mundos Contrários

Na pedra do corvo
Como no céu do nunca
A silhueta hiperbólica
Tão longe da alma da gente
Em dias de rafeiro, a noite
Ampara o soluço do ninho
De mares quebrados em ondas

É saudade
Tão fria como o carvão da memória
Esquecida no lume das migalhas
Na pedra do corvo, a noite
Tão clara como a voz do sarcófago
Dizimada pela dinastia da alma
Em mundos contrários deste mundo

Não faz sentido
Caber no dedo e não na presença
Ter o medo da viagem
Sem arredar os pés da pedra do corvo
Plantando a cabeça na glória
De paz inglória do vento de leste
Deixando no dedo a poeira do ninho
Tão vazio neste mundo de mundos contrários.

Soldados de honra

a minha vida são vidas esquecidas,
passados fragmentados no meu espírito de guerreiro.
são sonhos perdidos nos vultos que me abraçam
conduzindo-me ao intrínseco monte da duvida
em que cada fracção da minha visão
são meros "deja vu"'s dos quais me apercebi.

levo à minha frente a imagem de mim
e atrás, arrasto as cinzas dos mundos por onde passei.
a minha vida é assim, um sacrifício, um sacrilégio.
derrubei sonhos por sonhar muito,
derrotei muitos por amar tantos.

entre murros, terras, ventos e chuvas,
perdi-me no sabor da discórdia,
ganhei nada nos desertos alheios onde pisei
levando nos braços as almas de muitos irmãos
e nas mãos o seu sangue derramado.